11.4.09

O Lugar Original

Novos conceitos de pontos de venda vêm surgindo no Brasil para a apresentação dos novos objetos de design brasileiro. A sua característica principal, além de uma ambiência cosmopolita, é oferecer propostas de comportamento e de estilos de vida a um também novo consumidor. Chamados de “lojas-conceito”, esses pontos de venda desejam apresentar informação de vanguarda ao seu público, e não apenas produtos, por mais interessantes que eles possam ser.

Como o nome diz, elas oferecem pensamento, acima de tudo. E um conceito forte não traz apenas informação, mas é carregado de uma experiência que o confirma. Uma idéia que magnetiza é algo vivo!Você já deve ter tido a oportunidade de ampliar o conhecimento sobre o seu produto. O seu produto tem uma marca. A sua marca tem identidade. E a identidade da sua marca é múltipla? Então chegamos à pergunta-chave: qual é o espírito da sua marca? A sua marca é algo vivo?

A descoberta da alma de um trabalho é necessária para encontrar o seu suporte, o espaço de apresentação mais afinado com ele, onde todo o seu potencial poderá se firmar.Lugar onde toda a sua potência pode acontecer com liberdade e propriedade. E esse lugar assume formatos mutantes. Somente assim teremos um objeto vivo, um espaço apto a oferecer experiências do âmbito da cultura, e um cliente que busca informação contemporânea nos objetos e nos ambientes.

Super indico o http://www.deuxl.com que apresenta o forte trabalho de Lena Pessoa. Meu primeiro contato com ele foi através da sua palestra "Loja - Imagem - Faturamento", em março de 2006 no BH Shopping, como parte da programação do BH Fashion Music. Foi muito importante para mim encontrar alguém com um grande poder realizador e com atitudes tão próximas àquelas que eu vivencio.

Revelar o que é autoral, o espírito de uma marca, a sua cultura. Se ela é mesmo original pode propiciar a aventura do descobrimento de novas formas para expressar, dar apoio e gerar novos comportamentos cada vez mais afinados com o momento presente, que é o lugar onde tudo acontece. Essa é uma das características de um objeto autoral, de um objeto de design: ele tem a mesma envergadura de um filme, de uma música pop. Não importa o tamanho, mas uma singularidade expressiva propiciadora de conexões, geradora e receptora de sentidos. E a criação de todas as propostas de fortalecimento e irradiação do negócio em si vem da descoberta da sua linguagem própria.

Este processo de pesquisa, criação e produção que me proponho a realizar junto com o designer e o lojista, eu tenho chamado de curadoria. Um processo criativo que envolve estética, valores vitais, concepção e gestão de objetos imaginados de múltiplas naturezas. O design é indústria, mas também é experimentação de linguagens estando por isso ligado à cultura, arte, comportamento. E um modelo como o “plano de negócios”, por exemplo, não pode abranger as complexidades desse objeto.

Não dá para pensar uma marca a partir de um padrão identitário. Portanto, tratamos com subjetividades e não com identidades e outros tipos de sistemas fechados. Os hibridismos, a conectividade simultânea com várias fontes de informação, a experiência multidimensionada de vários processos criativos estão envolvidos, e necessitam de uma mediação aberta às configurações polifônicas.Este trabalho procura pensar e atuar na contemporaneidade propondo conexões com as teorias e filosofias atuais.

A moda, o design, o audio-visual, fazem parte do que é chamado hoje de economia criativa, pois envolve as relações culturais, industriais e comerciais. É cultura, é estética, é produção cultural e industrial. Para criar, desenvolver e produzir em um contexto complexo e competitivo é preciso adotar uma ótica de simultaneidades que é propiciada por um repertório teórico abrangente.
SP – 02 Março 2009

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